terça-feira, 29 de maio de 2012

A história do Hino Nacional

Nos dias de hoje todos os países possuem dois símbolos que os identificam: a bandeira e o hino nacional. A bandeira, símbolo visível e ancestral de reinos e países, tem na sua origem o estandarte que representou desde sempre clãs, tribos, casas nobres e reais. A utilização de uma composição musical, como símbolo de uma nação, apenas começou a ser adoptada na Europa no século XIX. Até essa data os exércitos e as populações reconheciam toques e cantos guerreiros que representavam pequenas facções e não uma nação inteira. Existiam composições musicais que representavam o rei, mas quando o monarca morria, desapareciam com ele. A peça musical identificava apenas o monarca reinante. O sentimento nacional e a ideia nacional, o mesmo é dizer o nacionalismo, foram no século XIX, um princípio de acção essencial contra os estados opressores e estiveram também na origem da maior parte dos conflitos internacionais. Na Europa o facto nacional foi um dos agentes determinantes da sua transformação (René Rémond, historiador francês). A revolução francesa, alicerçada nos princípios universais de Jean Jacques Rousseau - liberdade, igualdade e fraternidade (Liberté, Egalité, Fraternité) foi o rastilho que incendiou toda a Europa e mudou drasticamente todo o cenário social e politico do velho continente. A vaga de apoiantes do nacionalismo foi crescendo e foi surgindo a necessidade de  tornar esse sentimento visível a todos. Nada melhor do que composições musicais num género de marcha militar acompanhadas de textos que proclamassem bem alto os feitos grandiosos das nações. Os hinos nacionais floresceram em toda a Europa durante o século XIX. Em Portugal a composição musical, considerada como primeiro hino nacional de Portugal foi composto em 1808, por Marcos António Portugal (compositor português e professor de música de D.Pedro IV e de D.Miguel) e intitulava-se Hymno Patriotico da Nação Portuguesa. Este hino foi inspirado na parte final da Cantata La Speranza o sia l`Augurio Felice , composta e oferecida pelo autor a D. João VI, príncipe regente, quando este ainda se encontrava no Brasil. A poesia do Hymno Patriótico teve diferentes versões face às circunstâncias e aos acontecimentos da época, tornando-se naturalmente generalizada e nacional pelo agrado da sua expressão marcial, que estimulava os ânimos aos Portugueses, convidando-os à continuação de acções heróicas. Com o regresso do Rei ao País, em 1821, o mesmo autor dedicou-lhe um poema que, sendo cantado com a música do Hino, rapidamente se divulgou e passou a ser entoado solenemente (Jorge Sampaio in Arquivo da Presidência).
Letra:                      
Eis Principe Excelso, os votos sagrados que os lusos honrados vêm livres fazer. Por vós pela Pátria, o sangue daremos. Glória só temos. Vencer ou morrer. Aos mares vos destes a bem dos vassalos; julgando livra-los do ímpio poder. Malgrado o Tirano, em breve vireis, os lusos fieis Vós mesmo reger. Um Deus vos escuta, ó Príncipe Caro: Deus é nosso amparo, não há que temer. 
     
Com a morte de D.João VI em 1826, Portugal entra num período de grandes convulsões sociais e politicas. Em 1834, no fim da Guerra Civil, D. Pedro IV, em homenagem à Carta Constitucional entretanto estabelecida, apresenta um novo hino ao país. O Hino da Carta, de sua autoria, foi considerado oficialmente como hino nacional em Maio de 1834,  identificando-se em pleno com a vida política e social dos últimos setenta anos da Monarquia em Portugal (Jorge Sampaio in Arquivo da Presidência). Foi esta composição musical o símbolo da nação portuguesa até Outubro de 1910.


       


Após a implantação da República, os republicanos tomaram como símbolo representativo deste novo regime a Portuguesa. Composta em 1890 por Alfredo Keil (compositor, pintor, poeta, arqueólogo português) com letra de Henrique Lopes Mendonça (militar, historiador, arqueólogo naval, professor e romancista português) surgiu como resposta carregada de cariz patriótico, ao ultimato britânico que impunha a retirada das tropas portuguesas das suas posições em África, no famoso Mapa cor-de-rosa. Com algumas alterações na música e na letra - onde hoje se diz contra os canhões, na letra original dizia-se contra os bretões (os ingleses) - A Portuguesa que actualmente conhecemos, foi aprovada em Conselho de Ministros em 16 de Julho de 1957, tendo sido reconhecida como um dos símbolos nacionais de Portugal na Constituição de 1976.