sexta-feira, 11 de maio de 2012

Expressões Populares II


Erro Crasso - Esta expressão deve-se a Marco Licínio Crasso (115aC-53aC), general e político romano, que obteve algumas conquistas importantes para o Império Romano, entre as quais a esmagadora vitória sobre a revolta dos escravos liderada por Espártaco. Ambicioso e sedento de poder, liderou no ano 53 aC, a campanha contra os Partos (Império Parta foi uma das maiores potências a nível politico e cultural da antiga Pérsia) onde dominado pela sobranceria e sabendo que as suas forças militares eram em muito maior número do que as forças Partas, decidiu simplesmente atacar não obedecendo a nenhuma táctica militar. O exército comandado por Crasso foi massacrado na Batalha de Carras (actual cidade de Harã na Turquia) e mais de 20 000 soldados romanos, incluindo o general Crasso, foram mortos. Este episódio ficou para a história, e sempre que alguém com todas as condições para ter sucesso, mesmo assim falha, por não  ter tomado as devidas precauções, dizemos que cometeu um erro crasso

Lágrimas de crocodilo - desde a antiguidade clássica que existe o mito de que o crocodilo (do grego Kroké que significa pedra e drilos que designa verme ou larva) derrama lágrimas enquanto devora as suas vitimas, talvez por compaixão pelo sofrimento causado. No entanto este mito tem por base uma função biológica, já que a presa ao ser engolida, estimula as glândulas que segregam um liquido lubrificante para proteger a membrana ocular do crocodilo, semelhante a lágrimas. Quando as pessoas apresentam um sofrimento fingido ou um choro forçado, dizemos que derramam lágrimas de crocodilo, já que o sentimento que apresentam não é real.

Verdade de La Palice (ou La Palisse) - Jacques II de Chabanes (1470-1525), conhecido por Jacques de La Palice foi um nobre e militar francês do século XV, que obteve várias vitórias no comando das suas tropas. Respeitado pela sua coragem em batalha, era muito popular entre os soldados que comandava.  Morreu em combate na Batalha de Pavia, e os seus soldados para o homenagear compuseram uma canção de simples versos, intitulada La mort de La Palice (a morte de La Palice)O Senhor de La Palice, morreu em frente a Pavia. Momentos antes da sua morte, podem crer, ainda vivia! A redundância destas frases é tal, que se tornaram motivo de sátira, dando origem a muitas outras semelhantes, tais como estar vivo é o contrário de estar morto. Uma verdade La Palice, é aquela que por ser tão evidente, não precisa de ser explicada.


Sem pés, nem cabeça - expressão popular de origem romana (do latim nec caput nec pedes habet) utilizada pela primeira vez por Márcio Pórcio Catão (234aC-149aC), político romano, conservador e grande defensor das tradições romanas.  O senado romano enviou uma expedição, para mediar a guerra entre Prússias II, rei da Bitinia (antigo reino da Ásia Menor) e o seu filho Nicomedes, composta por Licínio, que padecia da doença da gota (que começa por atingir os pés) e por Mancino, que foi morto durante a campanha diplomática, por ter sido atingido por uma pedra na cabeça. Catão, então líder do Senado romano, afirmou que Roma havia enviado uma expedição sem pés nem cabeça. Esta expressão passou a designar qualquer acção que se toma sem qualquer lógica ou sentido.

Fazer tijolo - esta expressão surgiu após o terramoto de Lisboa de 1755, quando a necessidade de barro para a reconstrução da cidade aumentou exponencialmente. Esta matéria-prima era retirada do único filão de argila, existente em Lisboa, localizado no que ainda hoje é denominada por Forno do Tijolo (entre a actual Graça e o vale delimitado pela Avenida Almirante Reis). Grande parte dessa área era ocupada pelo cemitério mouro da cidade - o Almacávar - que rapidamente começou a ser escavado para a extracção do barro, tornando-se comum o aparecimento de ossadas humanas no barro transformado em tijolo. Tornou-se popular a expressão daqui a pouco já estou a fazer tijolo quando se queria dizer que já faltava pouco para morrer. Fazer tijolo passou a significar estar morto ou enterrado.