Os livros são objectos
pequenos, mas cheios de Mundo (Romano Guardini, escritor e teólogo
italiano). O livro é um objecto fascinante. Nascemos num mundo em que o livro é
comum e por isso temos que nos considerar uns privilegiados: temos livros pequenos ou grandes, de capa dura ou fina, a cores ou a
preto e branco, de romance ou crime, contendo todos eles um sem fim de
histórias para contar. Apenas temos que os abrir e ler! Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que não
haviam livros...os primeiros suportes utilizados para a escrita foram tabuletas
de pedra ou de argila, tendo sido encontradas tabuletas de argila na Suméria
datadas de 2400 a 2200 aC. Mais tarde surgiu o khartés (que em
grego significa papel) e que consistia num cilindro de papiro de fácil
transporte. O papiro, provém de uma planta perene de nome Cyperus
Papyrus, donde era extraída a parte interna do caule, que depois de tratada e transformada em folha, era enrolada em forma de cilindro. Os romanos chamaram-lhe volumen,
nome pelo qual ficou a ser mais conhecido. O cilindro de papiro, era
desenrolado à medida que ia sendo lido podendo alcançar o comprimento
de 5 a 6 metros.
Se contivesse mais do que uma obra era denominado de tomo.
Considerado o percursor do papel, o papiro que resultava da libertação (libere em
latim) da parte interior do caule do resto da planta original, deu origem
à palavra latina liber libri, e posteriormente a livro na
língua portuguesa. O papiro mais antigo que se conhece foi descoberto em
Saqqara (necrópole da antiga cidade de Menfis do Antigo Egipto) no
túmulo de um nobre chamado Hemaka, da I dinastia (2920 a 2770 aC) e
foi encontrado em branco. Posteriormente surgiu o pergaminho, que resulta do
tratamento de peles de animais, geralmente de cabra, carneiro, cordeiro ou
ovelha, que permitia a escrita. O nome pergaminho, homenageia a cidade grega de
Pérgamo na Àsia Menor, onde se acredita que foi descoberto. Mais fácil de ser
manipulado e com muito maior duração do que o papiro, o pergaminho rapidamente
se torna popular entre a classe erudita grega e romana.

Em 1488 foi
impresso o primeiro livro em língua portuguesa (português arcaico) na
cidade de Chaves, intitulado O Sacramental um tratado de
liturgia, da autoria de Clemente Sánchez de Vercial, escritor espanhol do
século XIV. Só no fim do século XV é que começariam a ser impressos livros nas
grandes cidades portuguesas como Lisboa, Porto e Braga. Com o passar dos anos
os livros foram conquistando o seu espaço, deixando de ser vistos como objectos de luxo
acessíveis a poucos e utilizados apenas por uma pequena elite, para passarem a
ser adquiridos por toda a população. O mundo mágico do livro estava finalmente
ao alcance de todos, novos e velhos, ricos e pobres, bastando apenas saber ler
para ter acesso a todo um manancial de histórias e aventuras. O livro
tornou possível o espalhar do conhecimento, o alargar
de horizontes, o sonhar mais longe, e como escreveu Mia Couto, o livro é uma caixa de tesouros que
não encontramos em mais lado nenhum . Eu sempre vivi
rodeada de livros e a leitura é para mim um prazer. Aprendi, sonhei, ri e chorei com eles ao longo da minha vida. A sensação de pegar num livro pela primeira vez, desfolhar as suas páginas, sentir as palavras nele escritas e descobrir as personagens que nele vivem, é única. Às vezes lembro-me das palavras de Almada Negreiros quando entrou
numa livraria e disse: pus-me a contar os livros que há para ler e os anos
que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria. Há
tantas histórias para ler, tantos mundos para descobrir, tanta coisa para
aprender que sentimo-nos pequenos perante toda a obra que foi produzida e nos
foi legada ao longo dos últimos séculos. O livro pode ser entendido
como um documento escrito e assinado pela mão da humanidade, que regista a
vitória do saber sobre a calamidade da ignorância. Ele é o documento do
passado, do presente e uma visão profética do futuro, que ajuda a pessoa a
entender o mundo, a vida e a si mesmo (Menegolla,1991). Escrito
em papiro, em pergaminho, em papel ou em forma digital, o importante é que o livro
continue a fazer parte do nosso mundo e que mantenha o Homem capaz de superar a ignorância e tomar consciência do valor da liberdade de pensamento e da capacidade do ser humano para pensar ilustradamente pela sua cabeça (Kant).
Os livros são os pensamentos dos homens passados no papel. Eu adoro Ler- é o meu desporto favorito. Adorei !!
ResponderEliminarAlguém que lê vive mil vidas antes de morrer, alguém que não lê vive apenas uma...
ResponderEliminarObrigada!! O livro é de facto indispensável na minha vida e é pena que tanta gente passe pela vida sem desfrutar deste valioso tesouro...
ResponderEliminargood posting about A vida do livro
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