segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Os Santos dos nossos dias


Não há dia que não tenha o nome de um santo qualquer. Se olharmos para as agendas antigas, a seguir à designação do dia aparece o nome de um santo, que a Igreja Católica achou por bem homenagear. Cada dia, cada santo. Existem por isso pelos menos 366 santos contabilizados pela Igreja dos católicos, já que os anos bissextos têm esse número de dias. Foi a Santo Osvaldo que calhou a sina de só ser homenageado de 4 em 4 anos, já que o dia de seu nome é 29 de Fevereiro. De origem dinamarquesa foi cónego de Winchester e arcebispo de York, descrito pelos seus pares como homem generoso, inteligente e um estudioso. Não descobri a causa da sua santidade, talvez por isso só seja lembrado de 4 em 4 anos...
Mas os nomes dos santos que mais facilmente identificamos, são aqueles que estão associados a dias festivos. São João, São Pedro e Santo António são nossos velhos conhecidos. Mas e São Valentim do dia dos Namorados e São Nicolau associado ao Pai Natal? O que sabemos destes santos? Que tradições e histórias estão por detrás dos homens?


São Valentim - sacerdote cristão do século III, viveu em Roma e foi contemporâneo do Imperador Cláudio II, cujo objectivo era constituir o maior exército possível, para manter a hegemonia dos romanos sobre o resto do mundo. Para levar a cabo tal façanha proibiu os casamentos entre os jovens romanos de forma a que estes se alistassem com maior facilidade e diminuísse o número de abandonos do exército. O sacerdote Valentim não acatou a ordem imperial e continuou a celebrar casamentos em segredo. Quando foi descoberto foi preso e condenado à morte. Durante o tempo do seu encarceramento, recebia flores e bilhetes com mensagens sobre a importância do amor. Diz a lenda que se apaixonou pela filha do carcereiro, de nome Astérias. Antes de morrer escreveu uma carta à sua apaixonada assinando no fim de seu Valentim, expressão ainda hoje utilizada pelos casais enamorados. Valentim foi decapitado no dia 14 de Fevereiro do ano 270, dia em que se celebra o dia dos Namorados.
No entanto este dia era para os pagãos a véspera do festival de lupercalia (de lupus que significa lobo, que reporta à lenda de Rómulo e Rémulo) festa anual celebrada na Roma antiga, em honra de Juno, deusa do matrimónio e de Pan, deus da natureza. Na Idade Média, o dia 14 de Fevereiro era  considerado o primeiro dia de acasalamento dos pássaros, e era tradição os apaixonados deixarem mensagens de amor na soleira da porta da pessoa amada. Actualmente o dia é celebrado um pouco por todo o mundo, especialmente nos Estados Unidos da América. Uma tradição com séculos de história.


São Nicolau - o santo padroeiro da Rússia, da Grécia e da Noruega, nasceu por volta do ano 270 em Patara, capital da antiga Lícia (actual Turquia) filho de pais nobres. Quando os pais morreram distribuiu a sua fortuna pelos mais carenciados. Foi consagrado Bispo de Mira (actual Turquia) ainda muito jovem e desenvolveu a sua actividade apostólica na Palestina e no Egipto. Foi preso durante o reinado do Imperador Diocleciano que moveu uma perseguição aos cristãos, tendo sido libertado durante o reinado do Imperador Constantino. São-lhe atribuídos muitos milagres sendo considerado protector dos marinheiros, dos mercadores, dos estudantes e especialmente das crianças. Conta a lenda que gastou parte da sua herança de família a distribuir presentes pelas crianças mais carenciadas. Morreu a 6 de Dezembro do ano 342. Nesse dia, já na Idade Média era costume nos países nórdicos,  os criados da famílias mais abastadas, deixarem pequenos presentes às crianças em honra de São Nicolau. Foi também nestes países que se desenvolveu a tradição de deixar sapatinhos junto às lareiras para que o santo, também chamado de Velho Pai, pudesse deixar os presentes destinados às crianças. Esta tradição e o culto a São Nicolau espalharam-se por toda a Europa. Após a reforma da Igreja, os países que professaram o Protestantismo abandonaram esta tradição, passando a venerarem o Christkind (Menino Jesus) como aquele que oferecia as prendas às crianças no seu próprio dia de nascimento ou de Natal, o dia 25 de Dezembro. 


Mas a lenda de São Nicolau prevaleceu passando o Velho Pai a ser designado como Pai Natal, Père Noel ou Father Christmas, passando também a ser festejado no dia 25 de Dezembro. Apenas na Holanda se manteve a designação de Sinterklaas que significa São Nicolau. Pensa-se que foram emigrantes holandeses que levaram a tradição do culto a São Nicolau para os Estados Unidos da América no século XVII, onde Sinterklaas deu origem a Santa Claus, nome pelo qual ainda hoje é chamado o velhinho de barbas brancas, vestido de vermelho e que distribui as prendas na véspera de Natal. A  figura do Pai Natal ou de Santa Claus, como actualmente a conhecemos, é da autoria de um americano de nome Thomas Nast, cuja ilustração foi pela primeira vez publicada no jornal Harper's Weekly em 1866. Mas foi com uma campanha publicitária da famosa bebida americana Coca-Cola, em 1931, que o simpático velhinho passou a ser reconhecido mundialmente como o famoso Pai Natal.

Ao longo dos séculos as tradições foram-se mantendo, passando de geração em geração. Com o nome de São Nicolau, Santa Claus ou Pai Natal, o que importa é que a fantasia e o sonho se mantenham vivos no imaginário de todos, quer sejam crianças ou adultos.