quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A famosa casca do sobreiro

O sobreiro (Quercus Suber) é uma árvore muito comum em Portugal, com grande prevalência a sul do Tejo. Os montados, que são plantações de sobreiros, subsistem apenas nas regiões do Mediterrâneo: Argélia, Marrocos, França, Itália e sobretudo nas regiões do sul da Península Ibérica. Portugal é o país com maior extensão de sobreiros do Mundo, sendo responsável por cerca de 50% da produção mundial de cortiça. Esta espantosa árvore, de porte mediano, tronco tortuoso e folhas permanentes, com 15-20 metros de altura (...) é revestida por uma casca acinzentada, algo enegrecida, espessa e fendida denominada cortiça (Plantar Portugal)De grande longevidade (pode viver em média 150 a 200 anos) e com uma enorme capacidade de regeneração, permite cerca de 16 descortiçamentos ao longo da sua existência. São precisos 25 anos para um tronco de sobreiro começar a produzir cortiça. No primeiro descortiçamento, chamado desbóia, obtém-se uma cortiça muito irregular e dura sendo difícil de trabalhar, a chamada cortiça virgem, sendo utilizada para pavimentos e material de isolamento; só nove anos depois se pode fazer novo descortiçamento, e aí obtém-se a chamada cortiça secundeira, menos dura, mas ainda imprópria para a confecção de rolhas e outros materiais; só no terceiro descortiçamento é que se obtém a cortiça amadia ou de reprodução, regular e lisa, fácil de trabalhar. A técnica de extracção, conservação e transformação da cortiça implica um saber ancestral. 
A cortiça já era utilizada na China, no Egipto, na Babilónia e na Pérsia  no ano 3000 aC, para fabrico de utensilios ligados à pesca. Em Itália, foram encontradas bóias, tampas para tonéis, sapatos de mulher e telhados de casas, datados do século IV aC. A primeira referência escrita ao sobreiro data desta época. O filósofo grego Teofrasto, nos seus tratados sobre botânica descreve maravilhado a faculdade que esta árvore possui em renovar a casca quando lhe é retirada. Foram também encontradas ânforas cheias de vinho com rolhas de cortiça, em Éfeso no século I aC. Em 1209, Portugal tornou-se no primeiro país a desenvolver legislação ambiental para protecção dos montados. Durante a época dos descobrimentos, as naus portuguesas utilizavam a madeira de sobreiro nas zonas mais expostas à intempérie, já que os construtores diziam que a madeira do sôvaro (era assim denominado o sobreiro) era o que havia de melhor para o liame das naus: além de muito resistente, nunca apodrecia. No século XVIII, um monge francês de nome D. Pierre Pérignon, começou a usar a cortiça para vedar as garrafas do seu famoso champanhe, costume que ainda hoje se mantém. Mas foi só a partir do século XVIII que na Península Ibérica se iniciou a exploração dos montados em grande escala, tornando-se a produção de rolhas de cortiça a principal fonte de rendimento e comércio.
Actualmente a cortiça é usada para a produção de diferentes materiais. Para além das rolhas, é utilizada para isolamento, pavimentos, carteiras, sapatos, roupas, mobiliário e um manancial de outros produtos. 
Para podermos ter uma pequena ideia do que é necessário para obter cortiça, aqui fica um pequeno filme de 1960 sobre todo processo de produção deste fabuloso material.




Fonte: APCOR - Associação Portuguesa de Cortiça