Mas o simples acto de escolher um livro para ler, que agora nos parece banal, foi durante muitos séculos, um acto perigoso. Até à Idade Média, existiam muito poucos livros e aqueles que existiam, escritos em latim, estavam na posse de uma elite restrita, da qual faziam parte o clero e alguns elementos da nobreza, dado que a maior parte da população mundial era analfabeta. Em 1517, com a reforma protestante iniciada por Martinho Lutero, e com a tradução de alguns livros, entre eles a Bíblia, para as línguas que eram faladas em diferentes países europeus, os livros começaram a ser divulgados e com eles deu-se o inicio da alfabetização das populações. O conhecimento espalhou-se rapidamente através das palavras escritas. Ideias novas e opiniões divergentes começaram a ser escritas e lidas. Uma população com conhecimento é difícil de dominar e era necessário por isso controlar a informação. Em 1559, o Papa Paulo IV, promulgou o Index Librorum Prohibitorum, o chamado Índice dos Livros Proibidos, que consistia numa lista de publicações literárias consideradas pela Igreja Católica como perigosas e como tal proibidas. O redactor principal do Índice dos Livros Proibidos que foi usado por toda a Igreja dependente de Roma durante mais de 400 anos, foi um frade português de nome Francisco Foreiro (1522-1581). Todas as obras literárias eram assim sujeitas à censura da Igreja. Após avaliação poderiam ou não obter a informação de nihil obstat que significa nada
impede, e após o qual obtinham o carimbo de o imprimatur ou seja, deixe
ser impresso. Quem ousasse possuir as obras proibidas corria o risco de ser julgado pelos Tribunais
da Inquisição como herege. Quem escrevesse livros que posteriormente fossem considerados perigosos poderia correr o risco de ser ser condenado à morte, tal como aconteceu a Giordano Bruno em 1600.
Entre 1559 e 1966, altura em que foi abolido pelo Papa Paulo VI, mais de 4000 títulos fizeram parte desta triste lista. Figuraram nela nomes como Maquiavel,
Galileu, Kepler, Descartes, Voltaire, Victor Hugo e Jean-Paul Sartre.

Tristes aqueles que se sentem ameaçados por palavras escritas. Como disse Unamuno ler
muito é um dos caminhos para a originalidade; uma pessoa é tão mais original e
peculiar quanto mais conhecer o que disseram os outros. E é tão bom ser diferente e original!!
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